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Palavra do Diretor

Resposta ao artigo do O Estado de S. Paulo (01/02/04)

Caro Prof. Gaudêncio, alvíssaras por seu elucidativo artigo no OESP (Dom,01/Fev/04).

Sou empresário do Ramo Imobiliário há 25 anos. Fui engraxate, vendedor de laranja, entregador de leite, vendedor de balas e chocolates porta a porta, lavei carros dos vizinhos, capinei, etc., etc. desde os 9 anos de idade.

Ganhei minha primeira comissão de corretor aos 17 anos. Estudei Economia, criei família e capitalizei a empresa até o aparecimento da URV, do FHC e do fenômeno PT.

Hoje nem o meu estilo "Hércules" é suficiente para livrar das chamas do purgatório o capital da empresa que se esvai na (inútil) tentativa de manter a imagem e os tributos "em dia" e a cabeça no lugar.

Caso o ilustrado Prof. esteja certo (e as minhas dores de hoje dizem que sim) o Estado deixou-nos sem margem de manobra, sem massa crítica para o ambiente dos negócios, sem poupança interna disponível – não para o investimento das corporações – mas ainda, nem um mínimo de poupança popular que deixe sobrar uns "caraminguás" para dar de entrada numa casinha da periferia de qualquer grande cidade.

A Revolução Socialista se implementou no Brasil – não pela via revolucionária e sangrenta dos Bolcheviques – mas através do pacífico (???) instrumento da Tributação "Distributiva" Socialista que equaliza a pobreza e privilegia os patrocinadores das campanhas eleitorais vitoriosas, porque conduzidas brilhantemente pelos mais desprezíveis instrumentos do Marketing – que o Prof. conhece tão bem.

A Prestação de Serviços – motor das economias desenvolvidas – nesta última "derrama", obteve a pá de cal que faltava para cercar definitivamente a iniciativa dos empreendedores tupiniquins no brete do abatedouro da Esperança.

Que jovem universitário sonhador ou ingênuo vai dispor-se a trabalhar por menos de 40% do resultado dos seus esforços?

Quem além de incautos "meninos teimosos" vai produzir algo alem de burocracia estatal nesta Serra Leoa Latina?

Caro Prof. Gaudêncio, o Sr. que tem em mãos o importante espaço do "Estadão – insista – POR FAVOR em mobilizar a classe pensante deste maravilhoso país, em buscar mudar a insensata marcha ideológica de taxar o empreendedor como contumaz sonegador, criminoso tributário, agente do imperialismo econômico internacional e passarmos a estimular a criatividade, o risco saudável do sucesso, o gosto pelo desafio do crescimento econômico, de erguer negócios lucrativos, de orgulhar-se de conquistas no mundo dos negócios . . .

Sonho em alcançarmos como Nação, uma consciência social para não ver em cada brasileiro um paria miserável na fila da cesta básica eleitoral.

Quero ainda nos meus dias, ver nossos jovens materializando seu potencial realizador e não permitir que cada sonhador tenha de expiar o pecado de não ter sucumbido à miséria, ao clientelismo do Estado, ao terrorismo fiscal.

Com apreço e admiração,
Ivar Braz - CI 3R 569.478/SSI-SC.

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