Condomínios: é preciso estar
atento à segurança
Treinar zeladores e funcionários e seguir
regras simples, como receber entregadores de pizza somente na entrada
do prédio, podem ajudar a evitar assaltos.
Assaltos a condomínios ainda não
constam de estatísticas oficiais, mas ao ver o noticiário
notamos que as ocorrências deste tipo de crime cresceram nos
últimos meses em todo o País e, principalmente, nas
cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. As modalidades são
muitas. Morar em condomínio provoca uma sensação
de segurança garantida, nem sempre verdadeira. É aí
que está o perigo. No condomínio, a segurança
está também nas mãos dos funcionários.
Os investimentos em treinamento, ao que tudo indica, não
foram suficientes até agora para fazer frente à ousadia
e criatividade dos assaltantes. Talvez falte mais atenção
sobre o corpo de empregados da parte de condôminos excessivamente
tranqüilos - e dos síndicos. Da parte dos condôminos
parece haver uma certa omissão.
Os condomínios estão na mira dos
assaltantes porque representam uma promessa maior de resultados.
O assalto é, digamos, por atacado - muitas famílias
podem ser as vítimas. Os bandidos estão treinados
para esse tipo de operação, que é sempre planejada
em seus mínimos detalhes. Dos prédios, alguns são
mais visados. São aqueles de apenas uma torre, entre 7 e
15 andares. Esse é o perfil que os assaltantes consideram
o mais frágil. Esse tipo de condomínio tem de dobrar
a vigilância.
Nenhum aparato tecnológico substitui o
estado de alerta dos funcionários e moradores. As falhas
mais freqüentes partem dos funcionários. Há casos
relatados de porteiros e zeladores que, em relação
a situações já consumadas, "não
viram ou não ouviram" o que se passava no prédio.
Estado de alerta - É necessário
investir mais nesse treinamento: algo como reuniões periódicas
para "renovação do estado de alerta", com
a participação do síndico e dos moradores.
Dicas para tornar o condomínio mais seguro são publicadas
de forma repetitiva pela mídia, sempre que mais um assalto
ocorre. Funcionários lêem? Essas dicas são recortadas
e afixadas de forma visível nas áreas comuns do prédio?
Os cursos que as administradoras promovem sobre segurança
em condomínios para funcionários têm sido prestigiados
como deveriam?
Não adianta pagar as taxas e enviar funcionários
desatentos para esses cursos sem que, depois, eles sejam sabatinados
sobre o que assimilaram.
Esse estado de alerta tem de ser contínuo
porque é grande a rotatividade de mão-de-obra nos
condomínios. O que representa outro perigo. Até o
final do primeiro semestre, o Sindicato da Habitação
(Secovi-SP) deve lançar um manual de segurança, em
fase de elaboração pela vice-presidência, com
a participação de profissionais da área de
assessoria em segurança de condomínios.
O material será inovador em subsídios
ao síndico para analisar tudo que envolve segurança
em prédios de pequeno, médio e grande porte. Com base
nesse material, ficará mais fácil pensar num plano
de segurança de alerta máximo para essas comunidades.
O documento vai ressaltar detalhes de segurança que as construtoras
vão precisar implantar ainda no projeto dos prédios.
Posição da guarita, iluminação das áreas
comuns, espaço especial para esconder os filmes das gravações
das câmaras, por exemplo.
De olho - Assim como treinamento dos funcionários
do prédio, a vigilância dos moradores é imprescindível.
Eles são o olho do dono e a vigilância deles jamais
poderá ser totalmente substituída. Moradores precisam
vigiar os síndicos, que precisam vigiar os moradores, que
precisam vigiar os funcionários - e todos precisam praticar
a autovigilância, a primeira e última das virtudes
humanas.
Não gostamos sequer de falar muito em conscientização,
que nos parece uma palavra meio vaga, ideal para questões
filosóficas. Temos de acabar é com a inércia
ativa, de quem por exemplo pediu a pizza e não quer descer
para pegá-la. Cada um de fora que sobe para entregas na unidade
autônoma pode representar perigo. Cada vez que o porteiro
abre o portão, idem. Em cerca de 90% dos casos, ladrões
entram pela porta da frente.
Até agora, os bandidos estão levando
a melhor. Os condomínios estão ficando encurralados
quando deveriam ser ilhas de tranqüilidade no universo turbulento
das cidades. O que ocorre com os condomínios também
ocorre com transportadoras de carga, empresas de transporte, bancos,
caixas eletrônicos e residências. A luta terá
de prosseguir com ventos favoráveis ou não. Os órgãos
oficiais de segurança terão de divulgar dados estatísticos
periódicos sobre a questão. Os poderes, estadual e
municipal, também têm de dialogar mais, em vez de se
isolarem. Há uma ênfase excessiva no combate às
drogas na região urbana. Essa ênfase deveria estar
nas fronteiras. Condomínios são vítimas desse
mal entendido e poderiam ter maior apoio policial.
A questão é ampla e não restrita
aos condomínios. Mas por enquanto são eles - síndicos,
moradores e funcionários do prédio - que terão
de manter o olho aberto.
Humbert Geraba (Hubert Gebara é
vice-presidente de Administração Imobiliária
e Condomínios do Secovi-SP e diretor da Hubert Assessoria
Imobiliária)

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