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Leilões: cuidados antes de arrematar um imóvel

Atraídos pelo baixo preço dos imóveis, um número cada vez maior de investidores está procurando oportunidades de negócios através de leilões. Arrematar um imóvel que não foi quitado por um mutuário, ou adquirir uma agência bancária de instituições financeiras são bons exemplos de como um investidor pode se beneficiar do jogo do "quem dá mais".

Alguns imóveis chegam a ser ofertados por um preço até 50% mais baixo que seu valor de mercado. De acordo com o leiloeiro Carlos Alberto Santos Frazão, a grande vantagem da aquisição de um imóvel num leilão é o preço. Além disso, outro benefício é a possibilidade de conseguir um financiamento sem dores de cabeça. "Comprando num leilão, você recebe um financiamento automático, sem ter toda aquela burocracia", afirma.

No próximo sábado (23), por exemplo, acontece outro leilão deste tipo em São Paulo, no qual o Bradesco pretende oferecer 100 propriedades espalhadas pelo Estado de São Paulo. A instituição está oferecendo a possibilidade dos compradores pagarem à vista com desconto de 10%, em prestações sem juros em até 12 meses, ou financiarem os imóveis em até 180 meses.

Ainda que as condições de pagamento sejam excepcionais, e a possibilidade de ganho no investimento grande, é preciso alguns cuidados.

Mutuário tem direito de recorrer
Porém, nem tudo é um "mar de rosas" na brincadeira do martelo. Muitos compradores acabam sendo prejudicados graças a processos na Justiça que muitos imóveis possuem. Para a maioria dos juristas, leiloar imóveis em função de inadimplência do mutuário, prática bastante comum entre os bancos, é ilegal. Nesse sentido, vale a pena conhecer bem o que se está comprando e evitar levar para casa "gato por lebre".

Para um alívio maior dos mutuários, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça proibiu que os bancos leiloem imóveis em caso de haver impasse na Justiça sobre o valor das prestações. Isto significa que os mutuários terão uma chance a mais para não perder seus imóveis se houver qualquer processo na Justiça para discutir valor e o prazo de pagamento do saldo devedor de um financiamento.

Neste tipo de situação quem sai prejudicado é o comprador do imóvel, que pode ter que devolver a propriedade mesmo depois de tê-la arrematado em leilão. É por isso que se recomenda muita cautela nesse tipo de negociação, sobretudo se o imóvel estiver ocupado, o que pode acabar levando anos para ser resolvido na Justiça. A recomendação de qualquer especialista em leilões é sempre averiguar o imóvel antes de fechar o negócio. Conheça de perto o que você está comprando para evitar surpresas de última hora.

É sempre bom estar assessorado de um advogado confiável, que irá analisar e cuidar de toda a documentação. Quando alguém compra um imóvel ocupado, cabe a ele próprio cuidar do despejo dos moradores. Em geral, processos desse nível costumam durar meses na Justiça, o que de qualquer forma inviabiliza o negócio.

Agências bancárias são a opção mais segura
Para cumprir a determinação do Banco Central (BC), desde 2002 muitas instituições começaram a ofertar suas agências bancárias em leilões. De acordo com as normas do BC, os bancos devem vender parte de seus ativos imobiliários para aumentar a liquidez de seu patrimônio.

A vantagem desse tipo de leilão é que no contrato está prevista uma garantia de locação que dura em média 10 anos. Portanto, além de fazer um bom negócio com o arremate, o comprador ainda se beneficia com o aluguel garantido e reajustado por índices de inflação. Para o leiloeiro Frazão, são poucos os investimentos com boa rentabilidade no mercado. Desse modo, que está com dinheiro disponível prefere aplicar em imóveis, considerados investimentos seguros e com retorno razoável.

Por: Marcel Steiner - 19/10/04 – InfoMoney


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