Pensando em comprar seu primeiro
imóvel?
A compra do primeiro imóvel é certamente
a tarefa mais difícil na vida financeira de uma pessoa. Desde
criança escutamos que pagar aluguel é jogar dinheiro
fora e que devemos ter, entre nossos objetivos, a compra da casa
própria, saindo assim da condição de inquilinos.
Isso nem sempre é verdade. Em alguns momentos
efetivamente o melhor é alugar, ainda que temporariamente,
até se poder comprar ou financiar o imóvel sob condições
mais favoráveis. Este é o caso, por exemplo, das pessoas
que não contam com o suficiente para arcar com pelo menos
30% do valor do imóvel, ou pessoas que ainda não têm
uma necessidade definida.
Estabeleça metas, e tenha calma
Lembre-se que, mesmo que as condições do financiamento
sejam bastante boas, quanto menor a parcela financiada, menor será
seu gasto com juros. Esta é uma consideração
importante, sobretudo para quem ainda é jovem e não
tem uma família definida.
Nestes casos, vale mais a pena esperar um pouco
e financiar um imóvel de dois dormitórios, que já
atenda às suas necessidades futuras, do que financiar agora
uma parcela maior de um imóvel de apenas um quarto. Portanto,
o primeiro passo na direção da compra da casa própria
é definir exatamente o que você quer. Não agora,
que decidiu sair da casa dos seus pais, mas sim no médio
prazo.
Caso esteja seguro que o momento de comprar a
sua casa ou apartamento chegou, então seguem abaixo alguns
conselhos para a realização de um bom negócio.
Localização é o começo
da tarefa
Escolher um local para morar é o ponto de partida para a
procura de um imóvel. A região escolhida deve atender
às suas necessidades e, eventualmente, as da sua família.
Para quem mora nos grandes centros urbanos é preciso analisar
com muito cuidado o acesso ao trabalho, tanto em termos de alternativas
de transportes disponíveis, como em termos de tempo exigido.
Verifique a oferta de comércio e serviços,
como supermercados, farmácias e bancos, nas proximidades,
de forma que você possa ir caminhando. Algumas localidades
são excelentes em termos de lazer, pois estão próximas
de parques e shoppings, mas é preciso usar o carro para chegar
aos demais lugares. Não pense só em quem dirige, um
dia você pode ter empregados domésticos, ou filhos,
que não contarão com esta comodidade.
Dê preferência a uma região
já estabilizada para não ter surpresas posteriores.
Algumas áreas estão em transição e empresários
aproveitam para instalar bares e casas noturnas. Durante a noite,
essas áreas costumam atrair muitos jovens e as ruas ficam
lotadas de carros.
Mesmo que hoje você adore uma balada, isso
pode não ser verdade daqui a alguns anos, isso sem falar
que nem todo mundo está disposto a dormir tarde ao som de
buzinas, o que pode dificultar a venda da propriedade no futuro.
Assim, uma dica é tomar cuidado com localidades que prometem
um rápido desenvolvimento.
Imóvel na planta ou usado?
O principal risco de comprar um imóvel na planta é
a quebra da construtora. O escândalo da Encol deixou os brasileiros
com um pé atrás antes de fazer negócio de um
imóvel que ainda não está pronto. Ninguém
quer ver as economias de anos de trabalho irem por água baixo.
Deste modo, a recomendação é procurar empresas
com tradição no mercado e solidez, e livres de reclamações
no Procon.
Muita gente foge de imóveis usados, acreditando
que eles podem apresentar problemas ao longo do tempo. Isso em parte
é verdade. Todo imóvel requer manutenção,
como pinturas, reformas de banheiros e cozinha. Mas lembre-se que
os imóveis usados são ligeiramente mais baratos que
os novos, e com a diferença de preço é possível
reformá-lo e deixá-lo com a sua cara. Certamente você
não vai querer comprar um apartamento novinho para quebrá-lo,
certo?
No caso de apartamentos em prédios mais
antigos, as chances de aparecerem gastos para reformas do condomínio
são grandes. Um elevador que precisa ser reformado, infiltrações
na garagem, redecoração do hall de entrada e mudanças
no paisagismo. São gastos extras que, por outro lado, valorizam
o seu apartamento. Antes de fechar negócio converse com o
síndico ou administradora para analisar a situação
financeira do condomínio. Muitos prédios são
mal administrados e desta forma o valor do condomínio é
bastante alto.
Contratar um advogado é sempre bom
Qualquer que seja a sua intenção em termos do imóvel
que pretende comprar, uma coisa é certa: sempre vale a pena
envolver um advogado. Tenha total confiança neste profissional,
que deverá ajudá-lo na leitura de toda a documentação
referente à compra, identificando possíveis áreas
de problema.
No caso de imóveis usados que estejam ocupados,
sobretudo os com inquilinos, todo cuidado é pouco. Exija
que a escritura já tenha sido passada para seu nome se ele
disser que pretende sair em um mês, por exemplo.
Não confie em ninguém, por mais
amistoso que o vendedor possa parecer. No mundo dos negócios
não existe amizade e nem promessas. Existem casos de famílias
que compram à vista uma casa, mas são obrigadas a
esperar seis meses até poderem mudar.
Financiamento ou consórcio?
Em geral, a compra do primeiro imóvel envolve algum tipo
de financiamento, pois ainda são poucas as pessoas que conseguem
comprar o imóvel à vista sem algum tipo de ajuda.
Assim, o primeiro passo a ser tomado é identificar que tipo
de imóvel você precisa e o quanto custaria uma propriedade
com este perfil.
Feito isso é preciso decidir como pretende
alcançar este objetivo. Existem várias formas distintas
de se comprar um imóvel, mas as mais conhecidas são
o financiamento e o consórcio. A escolha vai depender do
fato de você querer ou não esperar um pouco mais de
tempo para finalmente receber as chaves do seu imóvel.
Isso porque, no consórcio, o dinheiro para
a compra da casa só é concedido quando você
é sorteado, ou quando efetua um lance, o que pode não
acontecer imediatamente, sobretudo, se não contar com recursos
extras para o lance. Assim, mesmo que a chance seja pequena, você
corre o risco de só realizar seu sonho no final do grupo
de consórcio, o que pode demorar mais de 10 anos. Em contrapartida,
no financiamento os recursos são liberados imediatamente,
mas a quitação da dívida pode demorar até
15 anos.
Gastos não acabam com a compra
Em ambos os casos, é preciso estar preparado para comprometer
uma parcela significativa do seu orçamento com o pagamento
de prestações. Portanto, uma alternativa seria continuar
alugando por mais algum tempo, ou procurar um imóvel de menor
valor, mas que seja bem localizado, o que reduziria o valor financiado.
Não se esqueça que os gastos não
acabam na compra. Além das taxas e impostos associados com
o processo de aquisição do imóvel, é
preciso levar em consideração os gastos mensais com
manutenção, seguro, IPTU, condomínio, etc.
Ainda que, ao concederem empréstimos, os bancos façam
uma análise de comprometimento da renda, cabe a você
fazer as suas próprias contas e verificar suas possibilidades.
Coloque na ponta do lápis todos os seus
gastos. Caso mais do que metade do seu orçamento esteja comprometida
com prestações de financiamentos, reveja suas prioridades.
O mesmo vale para os gastos totais com o imóvel - que incluem
a prestação, e os demais gastos - e que não
devem superar 35-40% do seu orçamento mensal. Quando isso
acontece é sinal de que a sua casa não cabe no seu
bolso e que pode ser melhor esperar um pouco mais para evitar apuros
financeiros.
Por: Fernanda de Lima
09/12/04 - 09h52
InfoMoney

|