Setor imobiliário dos EUA: entenda os fatores que derrubaram as Bolsas
O pacote econômico que o governo divulgará na quinta-feira estará amarrado a uma ampla política de disseminação do crédito. A equipe econômica está convencida de que esse instrumento será o fator determinante para sustentar o consumo interno e, por tabela, impulsionar as taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2007. No Ministério da Fazenda e no Palácio do Planalto, o raciocínio é claro: ao criar facilidades para a compra da casa própria, ampliando a oferta de financiamento imobiliário, e retomando, com força, os empréstimos para obras de saneamento básico, o governo dará um gás considerável na criação de empregos menos qualificados, reforçando o mercado de consumo, que já vem crescendo bem acima do PIB.
O objetivo maior dessa política, de massificação do crédito, é abrir uma porta de saída para o Bolsa Família, disse o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Fernando Nogueira. Segundo ele, o governo está consciente de que não há mais espaço para ampliar o programa que já atende mais de 11 milhões de famílias. “Há o limite do ajuste fiscal. Não é possível mais aumentar o Bolsa Família. Portanto, temos de estimular os mecanismos que possam levar para o mercado de trabalho pessoas que hoje estão no programa, até porque não é saudável que elas fiquem dependentes dos repasses do governo por muito tempo”, acrescentou.
Resposta rápida
No entender de Nogueira, a construção civil — incluindo o mercado imobiliário e o saneamento básico — é um dos setores que os economistas classificam como dependentes de mão-de-obra intensiva. “É preciso investir nesses segmentos, que respondem mais rapidamente aos estímulos dados pelo governo”, afirmou. Neste ano, com o processo de cortes de impostos incidentes sobre insumos (cimento, areia, entre outros) usados pela construção civil, o mercado imobiliário deu um salto espetacular. Esse segmento recebeu injeção de mais de R$ 20 bilhões em financiamentos, dos quais R$ 14 bilhões foram bancados pela Caixa Econômica Federal. Com mais de 600 mil imóveis negociados, o mercado criou quase 140 mil empregos formais (com carteira assinada).
Até ontem, o governo ainda não tinha fechado o orçamento de 2007 para o setor de habitação, mas certamente o valor será superior ao desembolsado pela Caixa neste ano. Para saneamento básico, estão previstos investimentos de R$ 11 bilhões, agora mais factíveis de serem realizados devido à aprovação dos marcos regulatórios do setor pelo Congresso. O governo quer que os municípios ampliem os investimentos em água e esgoto, que, além de reduzir as despesas com saúde, absorvem um contigente de trabalhadores que hoje está sem perspectivas. “No geral, obras de infra-estrutura demandam muita mão-de-obra sem a qualificação exigida pela indústria de transformação”, ressaltou o economista Carlos Thadeu Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Pelas contas do vice-presidente da Caixa, com os incentivos que o governo dará para mercado imobiliário e o saneamento básico, o volume de crédito poderá aumentar em mais de 10 pontos percentuais em relação ao PIB nos próximos quatro anos. No primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2006, a relação crédito e PIB passou de 23% para 33%, algo como R$ 320 bilhões a mais. “O mercado tem a seu favor a contínua queda das taxas de juros, facilitada pelo controle da inflação”, afirmou.
Fonte: Correio Braziliense
 |