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Imóvel para locação, um bom
negócio?
De maneira recorrente, surgem manifestações
de diferentes fontes, afirmando que o investimento em imóvel
para locação não é um bom negócio.
A comparação tem normalmente por base o mercado acionário,
que ofereceria rentabilidade muito maior, além da inegável
liquidez. Ou seja, o investidor consegue fazer dinheiro na hora,
e com lucratividade interessante, caso negocie seus títulos
no momento em que esse mercado está em alta.
Em que pese nosso respeito a quem tem essa percepção
das coisas seria importante esclarecer que existem diferenças
fundamentais entre os mercados mobiliário e imobiliário
e ambos, conforme suas características, oferecem vantagens
e desvantagens.
No tocante à locação, as
desvantagens a serem apontadas vão desde as despesas cartorárias
na aquisição do imóvel - cuja propriedade tem
de ser registrada -, até os problemas com a manutenção
da unidade e a inadimplência - a qual, ressalte-se, vem sendo
consistentemente reduzida nos últimos anos (a média
de ações de despejo este ano registraram queda relativamente
ao exercício anterior, fruto da negociação
entre as partes e, em especial, do cuidadoso cadastro feitos pelas
imobiliárias ao selecionar os candidatos a inquilinos. Isso
sem falar no seguro-fiança, modalidade que vem sendo muito
utilizada).
Porém, esse mercado oferece inúmeras
vantagens, a começar pelo investimento num ativo real, que
tem valorização efetiva.
E o fator tempo deve ser especialmente considerado
pelo investidor. Ele deve ter uma perspectiva de longo prazo, sem
o que amargará frustrações.
No exterior, esse tipo de comportamento do investidor
imobiliário é facilmente identificado. É prática
comum no mercado norte-americano, por exemplo, produzir conjuntos
residenciais ou comerciais exclusivamente para locação.
Mais avançados do que nós, brasileiros, os EUA securitizam
os aluguéis, têm fundos imobiliários com lastro
nesse segmento, enfim, um ambiente diferente do nosso, mas para
o qual caminhamos a passos rápidos.
Prova disso é que já temos, no Brasil,
empreendimentos sendo planejados com a finalidade específica
de locação. Há, ainda, inúmeros casos
de empresas especializadas em adquirir terrenos para clientes que
não querem sua propriedade, mas apenas utilizá-lo,
por cessão, durante determinado período (o chamado
"build to suit"). Deve-se mencionar, também, os
investimentos em galpões industriais, hotelaria e outras
modalidades de negócio que têm, por essência,
a locação.
Ou seja, o mercado de locação vai
muito além do aluguel residencial. Porém, também
esse tipo de investimento traz vantagens. Ao selecionar corretamente
o inquilino, preferencialmente utilizando-se dos serviços
especializados de uma imobiliária, os proprietários
têm não apenas a garantia do recebimento mensal do
valor do aluguel, como a própria preservação
da unidade locada. Isso não sai nos jornais, mas acontece,
e muito.
Ultimamente, graças à redução
da inflação e ao equilíbrio na oferta de imóveis,
os aluguéis estão estabilizados.
Pode-se dizer que a rentabilidade era muito maior
no passado, mas essa percepção logo se dilui ao se
comprovar que aquele lucro era mascarado por uma inflação
descontrolada. Em termos reais, não houve perdas, pelo contrário.
Estima-se que, na cidade de São Paulo,
menos de 15% das carteiras de locação das empresas
esteja à espera de inquilinos. Ou seja, 85% dos imóveis
estão negociados, gerando receita aos seus proprietários
durante um período médio de 30 meses (que é
a duração de um contrato de locação
residencial).
O importante a considerar é que, felizmente,
o Brasil oferece aos investidores um diversificado leque de oportunidades
de aplicação. Com maior ou menor risco, todos encontram
o tipo certo de investimento. E, no caso do investimento imobiliário,
o risco é, sem dúvida, muito menor.
Fonte: Sergio Luiz Abrantes Lembi, vice-presidente de Locação
do Secovi-SP.
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